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Mercado imobiliário Lisboa Q1 2026: preços e rendas

H

HABTA

Equipa de Investimento

2026-04-28
7 min
Mercado imobiliário Lisboa Q1 2026: preços e rendas

O primeiro trimestre de 2026 confirmou o que os dados do Banco de Portugal e do INE já antecipavam no final de 2025: Lisboa opera com desequilíbrio estrutural entre oferta e procura. Perceber os números reais — por zona, por tipologia, por segmento de preço — é o ponto de partida para qualquer decisão de compra, venda ou investimento fundamentada.

Esta análise do mercado imobiliário de Lisboa no Q1 2026 cruza dados de transações registadas, anúncios ativos e tempo de absorção por segmento. Os valores apresentados referem-se a fração autónoma de uso habitacional e baseiam-se na informação disponível até março de 2026.

Quais foram os preços médios por m² em Lisboa no Q1 2026?

O preço mediano de transação em Lisboa situou-se em torno de 5 800 €/m² no primeiro trimestre de 2026, com dispersão considerável por freguesia. As zonas com procura mais comprimida e stock mais reduzido mantiveram valores acima de 7 000 €/m², enquanto as áreas mais periféricas da cidade ficaram entre 3 800 e 4 400 €/m².

Freguesia / ZonaPreço mediano (€/m²)Variação homólogaTipologia dominante
Misericórdia / Chiado7 100–7 600+5,2 %T1/T2 reabilitados
Santa Maria Maior / Alfama6 400–7 000+4,8 %T1/T2 reabilitados
Arroios / Anjos5 200–5 800+6,1 %T2/T3 reabilitados e novos
Avenidas Novas5 800–6 300+3,9 %T2/T3 em bom estado
Benfica / Campolide3 900–4 500+5,5 %T3/T4 usados
Olivais / Marvila3 800–4 300+7,2 %T2/T3 reabilitados e novos

O crescimento mais expressivo no trimestre registou-se em Marvila e nos Olivais, onde a chegada de nova oferta reabilitada e projetos de uso misto pressionaram os valores de referência. A Misericórdia mantém a liderança absoluta de preço por m², mas a taxa de crescimento abrandou face ao ritmo de 2024.

Quanto custam as rendas em Lisboa no início de 2026?

As rendas médias de apartamentos T2 em Lisboa situaram-se entre 1 450 e 1 900 €/mês nas freguesias centrais no Q1 2026, representando um crescimento de cerca de 6 % face ao mesmo período de 2025. A pressão sobre o arrendamento mantém-se elevada: a relação entre novos contratos de arrendamento e stock disponível atingiu um mínimo histórico em fevereiro.

  • T1 em Arroios, Anjos ou Intendente: 1 100–1 400 €/mês.
  • T2 em Avenidas Novas ou Alvalade: 1 600–2 000 €/mês.
  • T2 reabilitado no Chiado ou Misericórdia: 2 100–2 800 €/mês.
  • T3 em Benfica, Campolide ou Carnide: 1 400–1 800 €/mês.
  • T3 novo em Marvila ou zona ribeirinha oriental: 1 700–2 200 €/mês.

O regime de arrendamento habitacional em Portugal foi significativamente alterado pela Lei n.º 56/2023 (Mais Habitação), com impacto nos contratos novos, nas atualizações de renda e nos procedimentos de despejo. Qualquer análise de yield de arrendamento deve considerar as regras em vigor no momento da celebração do contrato.

Qual é o tempo médio de venda de um imóvel em Lisboa?

O tempo médio de venda — medido entre a data de publicação do anúncio e a assinatura do contrato promessa de compra e venda — variou entre 18 e 60 dias no Q1 2026, dependendo do segmento de preço e da localização. Frações entre 250 000 e 550 000 € em zonas com boa acessibilidade foram as mais rápidas a absorver.

Segmento de preçoTempo médio de venda (dias)Condição do imóvelObservação
< 300 000 €22–35Usado com desgasteProcura por investidores e jovens compradores
300 000–550 000 €18–28Reabilitado ou novoSegmento com maior liquidez em Lisboa
550 000–900 000 €30–45Reabilitado premiumProcura internacional e nacional qualificada
900 000–1 500 000 €45–65Novo ou high-endMercado mais seletivo, negociação mais longa
> 1 500 000 €60–120+Luxury / primeCiclo de decisão alargado, menor volume

Fatores que reduzem o tempo de absorção

  • Preço alinhado com a mediana de transações recentes a menos de 300 metros.
  • Fotografias profissionais e planta rigorosa publicadas no dia de lançamento.
  • Certificado energético igual ou superior a C — compradores cada vez mais atentos à classe de desempenho.
  • Proximidade a estação de metro ou interfaces de transportes públicos com frequência útil.
  • Ausência de pendências jurídicas ou situações de copropriedade não resolvidas.

Como se comporta a oferta disponível em Lisboa?

O stock de imóveis disponíveis para venda em Lisboa manteve-se em níveis historicamente baixos no Q1 2026. Segundo dados do INE, as licenças de construção nova na Área Metropolitana de Lisboa caíram para um dos valores mais reduzidos desde 2010, o que limita a entrada de produto novo no mercado a curto prazo.

A reabilitação urbana tem sido o principal canal de renovação do parque habitacional em Lisboa, com frações reabilitadas a representar a maior fatia da nova oferta qualificada. A Câmara Municipal de Lisboa mantém programas de incentivo à reabilitação em ARU que abrangem várias freguesias históricas, mas os prazos de licenciamento — tipicamente entre 4 e 9 meses para processos completos — continuam a ser um estrangulamento relevante.

No Q1 2026, por cada fração qualificada que entrou no mercado abaixo de 500 000 € em zona central de Lisboa, registámos em média 4 a 6 propostas sérias em menos de 30 dias. Este rácio de absorção torna a decisão de esperar por um preço mais baixo uma estratégia de custo elevado para quem compra para habitar.

Equipa de Investimento HABTA, Análise de mercado Q1 2026

Que yields de arrendamento se observam em Lisboa no Q1 2026?

A yield bruta de arrendamento em Lisboa situou-se entre 3,8 % e 5,2 % no Q1 2026, consoante a zona e a tipologia. As yields mais elevadas observam-se em zonas como Arroios, Marvila ou Beato, onde o preço de compra cresceu menos do que as rendas nos últimos 18 meses. As zonas prime como Misericórdia ou Príncipe Real comprimem as yields para 3,5–4,0 % brutos.

  • Yield bruta média em Arroios / Anjos: 4,8–5,2 % — relação preço/renda ainda favorável.
  • Yield bruta média em Avenidas Novas: 4,2–4,6 % — mercado maduro, menor volatilidade.
  • Yield bruta média em Misericórdia / Chiado: 3,5–4,0 % — preservação de capital e liquidez em destaque.
  • Yield bruta média em Marvila / Beato: 5,0–5,5 % — zona em valorização, risco de vacância mais alto.
  • Yield líquida estimada (após IMI, condomínio e gestão): desconto de 1,2–1,8 pontos percentuais sobre o valor bruto.

Quais são as perspetivas para o restante de 2026?

A combinação de procura estrutural elevada, stock limitado e custos de construção ainda pressionados sugere que os preços em Lisboa não terão correção significativa em 2026. O Banco de Portugal, nos seus últimos relatórios de estabilidade financeira, identificou o mercado habitacional das grandes áreas metropolitanas como um dos vetores de risco a monitorizar, mas sem sinais de sobre-avaliação sistémica equiparável a 2007.

Dois fatores externos podem alterar este cenário: uma subida inesperada das taxas Euribor — que permaneceram abaixo de 3 % no início de 2026 — ou uma alteração relevante ao regime fiscal do arrendamento ou da tributação de mais-valias. Qualquer investidor deve acompanhar a evolução legislativa junto da Autoridade Tributária e dos diplomas publicados em Diário da República.

Para quem compra para arrendar, o Q1 2026 reforça a lógica de preferir zonas com crescimento de renda superior ao crescimento de preço — e de exigir análise de yield líquida, não bruta, antes de fechar qualquer negociação.

Próximos passos para investidores e proprietários

Se está a ponderar comprar, vender ou reabilitar um imóvel em Lisboa com base nesta conjuntura, a nossa equipa disponibiliza análises de viabilidade personalizadas em serviços e exemplos de projetos concluídos em portefólio. Para contexto adicional, consulte também o guia completo de investimento imobiliário em Portugal 2026 e a análise reabilitação urbana em Portugal 2026. A newsletter mensal inclui actualizações de mercado com a mesma granularidade por zona.

Perguntas frequentes

Qual é o preço médio por m² em Lisboa em 2026?

O preço mediano de transação em Lisboa situou-se em torno de 5 800 €/m² no Q1 2026, com variação entre 3 800 €/m² em zonas periféricas e mais de 7 000 €/m² em Misericórdia e Santa Maria Maior.

Quanto tempo demora a vender um apartamento em Lisboa?

No Q1 2026, o tempo médio de venda variou entre 18 e 28 dias para frações entre 300 000 e 550 000 € em bom estado, e pode superar 60 dias para imóveis acima de 900 000 €. Preço ajustado e certificação energética adequada reduzem significativamente o tempo de absorção.

Qual a renda média de um T2 em Lisboa no início de 2026?

Um T2 em Lisboa arrendou, em média, entre 1 450 e 1 900 €/mês nas freguesias centrais no Q1 2026, com valores acima de 2 100 € em zonas prime como Chiado ou Príncipe Real.

Que yield de arrendamento é possível obter em Lisboa?

As yields brutas situaram-se entre 3,5 % e 5,5 % no Q1 2026, consoante a zona. Após custos de IMI, condomínio e gestão, a yield líquida fica tipicamente 1,2 a 1,8 pontos percentuais abaixo do valor bruto.

Os preços em Lisboa vão descer em 2026?

Os dados do Q1 2026 não apontam para correção de preços em Lisboa a curto prazo, dada a escassez de stock e a procura estrutural. O Banco de Portugal monitoriza o mercado habitacional, mas não identificou sobre-avaliação sistémica. Variações nas taxas Euribor ou na legislação fiscal podem alterar este cenário.

Quais as zonas de Lisboa com melhor crescimento de preço em 2026?

No Q1 2026, Marvila e Olivais registaram as maiores variações homólogas (+7,2 % e +6,8 % respetivamente), impulsionadas por nova oferta reabilitada e projetos de uso misto. Arroios cresceu 6,1 %, acima da média da cidade.

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